Mortes na PE da Vila Militar do Rio serão tema de audiência pública da CNV - Olho Solitário
Navigation

Mortes na PE da Vila Militar do Rio serão tema de audiência pública da CNV

Ditadura, CNV, Severino Viana, Chael Charles Schreier, desaparecidos políticos
 Mais um relato de falso suicídio esse tipo de julgamento as mortes de centenas de desaparecidos políticos no Brasil, é muito fácil subjugar uma morte nesta época como suicídio. Porem sabemos de que a grande maioria das mortes foram através da tortura mesmo, a Comissão Nacional da Verdade tem realizado um excelente trabalho, parabéns para toda equipe os brasileiros que ainda não são cegos agradecem pelo trabalho da CNV. Queremos a verdade e nada mais.
Ex-agentes da repressão foram convocados para prestar esclarecimentos sobre mortes de Severino Viana Colou e Chael Charles Schreier, ocorridas em 1969

A Comissão Nacional da Verdade e a Comissão da Verdade do Rio de Janeiro realizam, no próximo dia 24 de janeiro, audiência pública sobre as mortes sob tortura do sargento da PM da Guanabara, Severino Viana Colou, e do estudante de medicina Chael Charles Schreier, ocorridas em maio e novembro de 1969, respectivamente, na companhia de Polícia do Exército da Vila Militar, no Rio de Janeiro.

Seis testemunhas prestarão depoimento, entre eles o professor Amílcar Baiardi, que militava na VAR-Palmares, a organização da qual participava o jornalista Antonio Roberto Espinosa, preso com Schreier e Maria Auxiliadora Lara Barcelos, que suicidou-se no exílio, na Alemanha, em 1976, em virtude dos traumas decorrentes da tortura e dos abusos sexuais sofridos.

Também testemunharão o ex-deputado federal Luiz Antonio Medeiros, o cineasta Silvio Da-Rin, diretor do documentário "Hércules 56", o ex-militante político José Delce Ribeiro Façanha e o advogado Francisco Celso Calmon, integrante do Fórum Direito à Memória e à Verdade do Espírito Santo.

A Comissão Nacional da Verdade convocou agentes da repressão envolvidos com as mortes e torturas ocorridas na Vila Militar para prestarem depoimento na audiência. Uma vez notificados da convocação, os convocados são obrigados a comparecer. Caso não compareçam, poderão responder pelo crime de desobediência.

A audiência, que será presidida pela integrante da CNV Rosa Cardoso, será transmitida ao vivo pela internet pela CNV, no endereço: www.twitcasting.tv/CNV_Brasil

MORTE SOB TORTURA – Chael Charles Scheirer foi morto sob tortura no dia 22 de novembro de 1969 na Polícia do Exército da Vila Militar, onde foi interrogado sob tortura com seus companheiros Maria Auxiliadora e Espinosa. Os três haviam sido presos na véspera, após troca de tiros com agentes da repressão, que invadiram a casa que eles dividiam na rua Aquidabã, em Lins de Vasconcelos.

O corpo de Chael foi levado para o Hospital Central do Exército onde o general Galeno Penha Franco


recusou-se a declará-lo morto no hospital, em decorrência de ferimentos, como pretendiam seus algozes, e mandou que fosse feita a autópsia. Laudo elaborado por três médicos, dois deles militares, constatou as lesões sofridas por Chael. Mesmo assim, o Exército anunciou na época que Chael morreu de ataque cardíaco em consequência de ferimentos sofridos na troca de tiros com os agentes.

Maria Auxiliadora Lara Barcellos e Antonio Espinosa foram os últimos a ver Chael com vida. Afirmaram em depoimento que ele tinha o pênis dilacerado e o corpo ensopado de sangue. Apontaram, em juízo, o nome dos torturadores e responsáveis pela morte do estudante de medicina.

FALSO SUICÍDIO – Severino Viana Colou era um sargento da Polícia Militar da Guanabara que integrou o Comando de Libertação Nacional (Colina), participando de ações armadas no ano de 1968, com outros militantes como João Lucas Alves, também assassinado pelo regime.

Preso, foi levado para a PE da Vila Militar, onde, segundo a versão oficial do Exército à época dos fatos, foi encontrado morto na manhã de 24 de maio de 1969, "enforcado com a própria calça, amarrada em uma das barras da cela". Depoimentos de ex-presos políticos nas auditorias militares apontam que sua morte ocorreu sob tortura.

DILIGÊNCIA – A audiência de 24 de janeiro será precedida de uma diligência técnica para reconhecimento de local, que será realizada na antiga unidade da PE da Vila Militar de Deodoro, no dia 23 de janeiro. A unidade do Exército sofreu muitas alterações desde 1969, mas as vítimas desejam tentar reconhecer o local. A diligência será acompanhada pelos peritos da Comissão Nacional da Verdade.

SERVIÇO

Diligência de reconhecimento da Vila Militar do Rio
Quando: 23 de janeiro de 2014, quinta-feira
Horário: 13h00

Audiência Pública sobre tortura e mortes na Polícia do Exército da Vila Militar
Quando: 24 de janeiro de 2014, sexta-feira
Horário: 10h00
Local: Auditório do Arquivo Nacional
Endereço: Praça da República, 173, Centro, Rio de Janeiro

Comissão Nacional da Verdade
Assessoria de Comunicação

Mais informações à imprensa: Thiago Vilela

Share

Lúcio Soares

Gosto de pesquisar sobre variados assuntos e principalmente aqueles que a grande mídia não divulga. Desde o inicio com o Blog Olho Solitário tenho aprendido muito e sei que na busca da verdade não estamos sozinhos.

O que achou? Comente aqui:

0 comentários:

Aqui você é livre para comentar. Obrigado pela visita!