Conheça a historia de amor, ódio e liberdade - Sobre Lucas da Feira - Olho Solitário
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Conheça a historia de amor, ódio e liberdade - Sobre Lucas da Feira

Luca da Feira, Consciência negra, preconceito

Lucas Evangelista dos Santos ou Lucas da Feira foi um escravo nascido da união dos escravos jejes Maria e Inácio, em outubro de 1807, na Fazenda Saco de Limão, nos arredores da Freguesia de Nossa Senhora dos Humildes, pertencente ao Padre José Alves Franco. Devido a sua rebeldia, seu proprietário enviou-o a sede do Arraial de Sant’Anna, para que fosse instruído no ofício de carpintaria pelo mestre crioulo João Pereira Batista. Entretanto, em 1828, Lucas da Feira fugiu, tornou-se bandoleiro, chefiou um bando que atuou por vinte anos nos arredores da atual cidade de Feira de Santana, atacando tropeiros que iam e vinham da Feira do Gado.

Alguns estudiosos afirmam que Lucas da Feira nunca foi um Hobin Wood que roubava dos ricos para dar aos pobres, na verdade ele roubava de quem achava que deveria roubar. Além disso, ele não criou um movimento abolicionista diretamente, mas sim indiretamente, uma vez que, seus atos incitavam outros negros a também se rebelaram contra seus senhores. Ou ainda, Lucas, de fato, raptava algumas mulheres, inclusive filhas de comerciantes e fazendeiros, passava um tempo e depois as devolvia.
 Lucas da Feira em sua trajetória na cidade de Feira de Santana tem espaço para muitas interpretações onde parte dos moradores o odeiam e outra parte que lhe tem como um herói. O que nos chama a atenção sobre esta historia de vida é um fator simples. O comportamento segundo a própria historia nos diz que o Lucas não aceitou ser levado para os novos donos que adquiriram toda a fazenda com tudo que havia dentro da mesma e o Lucas também foi um objeto de venda, O novo senhor o Padre José Alves Franco segundo historiadores queria que o Lucas fosse estudar o que não ocorreu o mesmo fugiu e começou a sua trajetória solitária até se tornar chefe de um bando. O que podemos notar em Lucas é que não lutava por todos ou uma causa mas por si, o mesmo como escravo nunca pode viver verdadeiramente livre e quando surgiu oportunidade para isso abraçou sem medo e por que não dizermos com todo o ódio que havia em seu coração cheio se cicatrizes e feridas. Concluímos que o Lucas da Feira fora um homem escravizado que lutou por sua liberdade. Não o vemos como bandido ou herói mais como um sonhador e assassino também pois o mesmo matou e roubou. As vezes lutar para sermos livres torna-se um crime para a visão do mundo aprisionado pela mentira e escravidão mental coletiva. Hoje somos escravos de um sistema que tem gerado dezenas de Lucas da Feira por toda parte do mundo. Um homem livre talvez seja o que enxerga a corrente em sua mente e necessidade de sobrevivência onde precisamos saber conviver em meio a uma escravidão compulsória e invisível que se torna parte de nós no momento em que nascemos para este mundo pecaminoso e injusto onde a maioria carrega os fardos para garantir as vaidades e ambições de um sistema podre de minorias.
Toda história que se preze tem um traidor. Na história de Lucas não foi diferente. Seu traidor foi o Oficial de Justiça Cazumbá, este se tornou um foragido depois de ter matado um homem na “Ladeira do Nage”. Segundo as pesquisas, Cazumbá, durante certo período, seguiu o bando de Lucas e criou-se um vínculo de amizade. Dizem às lendas, que Cazumbá batizou o filho de Lucas, Colatino (não existe nenhum registro que comprove a existência ou a descendência desse filho).

O bando de Lucas da Feira era muito temido, inclusive o Governador da Província estipulou um prêmio de quatro mil réis pela captura e morte de Lucas. O sogro de Cazumbá então entrou em contato com o Juiz de Paz e propôs a seguinte barganhar, Cazumbá mataria ou prenderia Lucas e em troca receberia além do prêmio o perdão pelo seu crime.

Segundo relatos, Cazumbá foi atrás de Lucas e o encontrou descansando, onde é hoje o bairro Muchila. Lucas foi atingido por um tiro, mas conseguiu fugir para a localidade da Tapera, próximo de São Gonçalo, mas precisamente numa gruta. Depois de alguns dias, encontraram um negro com um vaso de álcool canforado, que na época era usado para curar ferimentos. O negro entregou Lucas e foi feita uma nova emboscada, na qual Lucas foi preso e conduzido a Vila de Sant’Anna, isso ocorreu em 1848.

Dizem que nesse dia os comerciantes locais deram uma festa, distribuíram bebidas, soltaram fogos. Lucas teve o braço amputado na prisão, em decorrência do ferimento à bala. Julgado em praça pública, na Igreja dos Remédios, condenado a morte por enforcamento, foi conduzido para Salvador, para o Forte de São Pedro, onde ficou um ano preso. Voltou para a Vila de Sant’Anna para ser enforcado no Campo da Gameleira, onde ocorria à Feira do Gado, atualmente Praça D. Pedro II, em 25 de setembro de 1849.

Fonte: Por Kalila Gama

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Lúcio Soares

Gosto de pesquisar sobre variados assuntos e principalmente aqueles que a grande mídia não divulga. Desde o inicio com o Blog Olho Solitário tenho aprendido muito e sei que na busca da verdade não estamos sozinhos.

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