50 Anos depois do golpe: “Possivelmente, os novos golpes na América Latina não vão sair dos quartéis militares, mas das multinacionais e dos meios de comunicação” diz Lugo. - Olho Solitário
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50 Anos depois do golpe: “Possivelmente, os novos golpes na América Latina não vão sair dos quartéis militares, mas das multinacionais e dos meios de comunicação” diz Lugo.

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Passadas cinco décadas do golpe militar no Brasil, as prefeituras de Santo André e de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, realizaram entre 9 e 11 de maio o evento “Ditaduras no Cone Sul- 50 anos Depois” com o objetivo “de que o ano de 1964 e suas consequências, principalmente as relações dos militares brasileiros com outros ditadores dos países do Cone Sul, sejam esquecidos”, segundo os organizadores.

Entre os palestrantes convidados estava Andrés Pascal Allende, sobrinho do presidente Salvador Allende, que governou o Chile entre 1970 e 1973, quando foi deposto por um golpe de estado liderado pelo chefe das Forças Armadas, Augusto Pinochet.

Para ele, as ditaduras surgem a partir da possibilidade de realização de reformas sociais. “Cada vez que um país da América Latina pleiteia realizar reformas profundas, aparece o golpe militar. Foi assim com Allende e com João Goulart, no Brasil”.
O Brasil e a sociedade brasileira precisam estar atentos, pois muitas bandeiras estão sendo levantadas e sabemos quem ao certo as promovem todos os dias seja atraves dos blackblocs, manisfestações instantâneas e outras atuações onde se aproveitam da fragilidade do povo para se auto promoverem fazendo as vontades dos seus patrões internacionais.
Boicote econômico, intervenção da CIA (Central de Inteligência norte-americana), entre outros são instrumentos de golpes. “Não é o que ocorre hoje na Venezuela?”, questiona.

Durante os pouco mais de 30 minutos que falou no evento, o ex- membro da Comissão Política do Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR) que se tornou Secretário Geral da organização e carrega nas veias e no sobrenome as marcas da ditadura Pinochet, tem nas Forças Armadas a maior preocupação quanto a manutenção da estabilidade política.

‘É preciso reformar as Forças Armadas na América Latina para termos a verdadeira democracia em nossos países”. Aí, estaria um erro cometido pelo tio, enquanto presidente.

“Allende achava que as Forças Armadas chilenas seriam respeitosas e não interviriam. Ele não fez as reformas. Militares vivem à margem da sociedade. No Chile, texto de Pinochet é obrigatório nas escolas militares”, revela.

Pascal lembrou o importante papel dos sindicatos na busca pela liberdade e define a transição para a democracia em seu país como “limitada”.

“A transição foi controlada pela direita. Se manteve o poder econômico (o neoliberalismo) e a mesma Constituição”.

Se para Andrés Pascal as Forças Armadas têm papel fundamental na derrocada de uma democracia, o ex-presidente do Paraguai, Fernando Lugo, deposto por um golpe parlamentar em junho de 2012, atribuiu a outros fatores.

“Possivelmente, os novos golpes na América Latina não vão sair dos quartéis militares, mas das multinacionais e dos meios de comunicação.

“Os processos políticos na Bolívia, na Venezuela e no Equador indicam a superação neoliberal, mas temos o desafio de evitar o que ocorreu de maneira grosseira em Honduras”, afirmou ao referir-se ao golpe de junho de 2009 que acabou derrubando o presidente Manuel Zelaya.

“No Paraguai, quem ganhou com o golpe? Os plantadores de soja, o agronegócio. No país, há uma classe que sempre teve os grandes negócios do Estado e tem medo de perder seus privilégios. Mas o povo originário, os camponeses continuam sem terras. Somente nesta transição morreram 138 camponeses no Paraguai”, disse.

Pascal Allende ainda advertiu a plateia, composta por estudantes em sua maioria, sobre o risco da história se repetir: “o que está sendo feito para impedir que ocorram novos golpes na América do Sul?”, finalizou.

O evento ainda contou com as presenças de Hildegard Angel, Ivo Herzog e João Vicente Goulart. No site do evento há mais informações. Perfis: (do site)

Andrés Pascal Allende – Chile

Nasceu em 1943 e é sobrinho de Salvador Allende, presidente assassinado. Foi membro da Comissão Política do Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR) e se tornou Secretário Geral do MIR, com o assassinato de Miguel Enriquez, em 1974, pelas forças de repressão da DINA. Ficou na direção do MIR até 1985. Em 1975 teve que se exilar na Costa Rica, e desde o exílio comandou a Operação Retorno (1977-1979), quando diversos quadros do MIR regressaram ao país para realizar operações de guerrilha. Um fato curioso na relação de Pascal Allende com o tio, futuro presidente, Salvador Allende. Certa ocasião, Pascal Allende recebeu a visita de seu tio e ganhou de presente uma caixa de sapato. Dentro da caixa havia um Colt 45, com um bilhete: “faça bom uso dessa pistola”. Salvador Allende foi pacifista e defendia a chegada ao poder apenas pelo voto. Segundo entrevista de Pascal Allende ao jornal, O Estado de São Paulo (03/09/2013),”a ditadura brasileira deu duas grandes contribuições ao Movimiento Izquierda Revolucionaria (MIR). Primeiro, o Brasil despejou exilados no Chile, alguns dos quais passaram a integrar o MIR. Segundo, o golpe de 1964 mostrou à cúpula da organização que o sonho de Allende de construir o socialismo por meio das instituições democráticas – “com empanadas e vinhos”, como se dizia à época – era impraticável. “Lamentavelmente, estávamos certos”, afirma Pascal, passados 40 anos do golpe.

Fernando Lugo – Paraguai

Fernando Lugo nasceu em uma família humilde de San Solano,no distrito de San Pedro del Paraná. Parte de sua família foi vítima de perseguição política durante a ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989). Ele foi um dos expoentes da Teologia da Libertação no Paraguai. Tornou-se bispo e posteriormente integrou a equipe de Reflexão Teológica do Conselho Episcopal Latino-americano. Lugo liderou o movimento de Resistência Cidadã contra a ditadura e participou ativamente em 2006 do lançamento do Movimento Paraguai Possível (MPP) que impulsionou sua candidatura ao pleito de 2008. Foi eleito presidente da república com 40,83% dos votos pela Alianza Patriótica para el Cambio, em abril de 2008. Durante a campanha eleitoral, Lugo ganhou o nome guarani de Tekojoja, que significa “viver entre os iguais”. A vitória do “bispo dos pobres” deveu-se em grande parte às suas ações em defesa dos camponeses sem-terra. Após tomar posse na presidência a oposição de direita iniciou uma guerra suja contra a Lugo e seus apoiadores. No dia 22 de junho de 2012, o presidente foi destituído do cargo pelo Senado, depois de um rápido julgamento político em que foi considerado culpado por ‘mau desempenho’. Durante as eleições gerais de 2013, sua coalizão partidária Frente Guasú, recebeu 214.823 votos para o Senado e Lugo tornou-se senador a partir de 15 de agosto de 2013.

Alisson Matos, editor do Conversa Afiada

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Lúcio Soares

Gosto de pesquisar sobre variados assuntos e principalmente aqueles que a grande mídia não divulga. Desde o inicio com o Blog Olho Solitário tenho aprendido muito e sei que na busca da verdade não estamos sozinhos.

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