Milton Neves a Alex Solnik: 'não vai ter golpe, não' - Olho Solitário
Navigation

Milton Neves a Alex Solnik: 'não vai ter golpe, não'

Milton Neves, entrevista, opinião, política

Acostumado a fazer prognósticos futebolísticos nos 20 boletins diários que apresenta em cinco rádios, o que lhe valeu o apelido de “Pitonisa”, Milton Neves arrisca palpites na política com exclusividade para o 247: "Dilma não vai cair, José Genoino será inocentado no futuro, Fernando Haddad não será reeleito"; ele também cutuca José Datena, que se lançou candidato a prefeito de São Paulo, lembrando que há quatro anos ele afirmou numa entrevista não achar correto um apresentador de TV concorrer a cargo público, mas não o condena: “todos podem mudar de ideia, menos o suicida”; Neves também critica a Rede Globo por proibir profissionais de jornalismo de fazerem propaganda e diz que tem o pior defeito que se pode ter no Brasil: “fiquei rico”!; leia o depoimento exclusivo a Alex Solnik, que se junta ao 247 com a missão de produzir grandes entrevistas

7 de Agosto de 2015 às 00:18

Por Alex Solnik

Acostumado a fazer prognósticos futebolísticos nos 20 boletins diários que apresenta em cinco rádios, o que lhe valeu o apelido de “Pitonisa”, Milton Neves arrisca palpites na política com exclusividade para o 247: "Dilma não vai cair, Zé Genoíno será inocentado no futuro, Fernando Haddad não será reeleito". Leia, abaixo, a íntegra de sua entrevista:


247 – Você é o homem que mais trabalha no país! Como você consegue trabalhar tanto? Te ouço o dia todo falando em várias rádios, fazendo eventos, domingo na TV, você não descansa nunca?


Milton Neves – Na verdade, hoje... no dia 6 de agosto eu faço 64 anos, vou fazer até uma reunião com a família em Nova York, nós compramos apartamento lá e hoje eu não trabalho como eu trabalhei. Nos 33 anos de rádio Jovem Pan, sim. Eu era repórter de trânsito, rodoviário, plantão esportivo, tinha Terceiro Tempo terça, quarta, quinta era box, sexta, sábado à tarde, sábado à noite, domingo cedo, domingo à tarde, domingo à noite. Eu só trabalhava num lugar. Hoje eu trabalho na TV Bandeirantes, no Band Esportes, nas cinco rádios da Bandeirantes, e faço Placar, Agora São Paulo, portal, mas eu tenho uma equipe de jovens jornalistas aqui, muitos já estão na grande mídia, começaram comigo, aqui eu só contrato jornalista desempregado e profissional, formado. Lanço a molecada, como eu fui lançado pelo Fernando Vieira de Melo, em 1972, o maior jornalista que eu conheci na minha vida. Eu não trabalho tanto igual eu trabalhava. Porque eu moro fora de São Paulo, venho a São Paulo quarta e domingo, que eu durmo aqui no apartamento do meu escritório e entro no ar vinte vezes por dia em cinco rádios: Band FM e AM, Bradesco Esportes, Sul América Trânsito e a Band News FM que hoje é a melhor rádio do Brasil. Escrevo na revista Caminhoneiro, mas é minha equipe que faz a coluna, revista Placar eu conto minhas histórias uma vez por mês e é tudo gravado. Então, eu vou na Band só quarta e domingo. Aparentemente eu estou trabalhando muito, mas não: eu trabalhei muito.

247 – Você apresenta muitos eventos, conversa com empresários de todo o país. Como está o humor deles?

Milton Neves – Muito ruim. Eu faço palestra, apresento eventos corporativos no Brasil inteiro. Diminuiu a quantidade. Cheguei a fazer três, quatro por semana. Agora eu estou limitando à Grande São Paulo e faço muitas palestras em faculdade no interior do Brasil e de faculdade eu cobro apenas 3 ou 4 mil reais que eles depositam na Casa de Atendimento de Câncer que eu mantenho há doze anos. Eu estou sentindo muito temor dos empresários, todo mundo está sentindo porque estão dizendo que a coisa está feia, mas vai piorar. Só que eu lembro o que o genial Nizan Guanaes fala: época de crise, você tem que parar de chorar e vender lenço. É o que alguns clientes meus estão fazendo. A Esser, por exemplo, a Construtora Esser, em hebraico quer dizer dez, do Rafael Horn... ele lançou um edifício aqui, na Cesário Mota, do lado da Santa Casa, 95 apartamentos de um dormitório, tipo apart-hotel porque ali, infelizmente, muita gente vem ver parente doente, as obras começaram agora em julho. Ele vendeu em uma semana tudo, só para os amigos, eu mesmo comprei uma batelada lá porque o negócio era bom. E agora vem uma campanha da Esser na contramão da crise, na Vejona, na Vejinha, no Estadão, na Folha, na rádio Bandeirantes, na Rede Globo. Eu estou fazendo a Cerveja Proibida. Eu passei 24 anos fazendo a Schincariol, Antarctica e Brahma. Meu contrato com a Brahma venceu e agora eu estou com a Proibida. Eu estou muito feliz, porque quem fez o lançamento da cerveja foi o Alexandre Nero, no auge daquela novela em que ele era o comendador, e ele é filho de um cara de Muzambinho, o Biluca, o Ibrahim Nelo Vieira, já morreu e ele é um sujeito que lançou a marca no Brasil. Foi um institucional muito forte. Agora, em termos de venda quem está vendendo é o Milton Neves. Depois que eu entrei fizeram acordo com Assai, com outras cinco grandes redes de varejo do Brasil e a Proibida está emplacando. Então, eu estou muito feliz porque em plena crise os clientes continuam me procurando. Semana passada eu fiquei seis horas no estúdio gravando para a Esser, como tinha gravado há um mês para a Proibida e fotografia também.

-----------------------------------------------

“A Dilma Rousseff, que eu jamais vi de perto, nessa enxurrada de denúncias, qual é a denúncia que tem contra ela, ela, do bolso dela?”

-----------------------------------------------

247 – Me diz uma coisa: você tem ideia do que vai acontecer? Tem algum prognóstico?

Milton Neves – Eu não sei o que vai acontecer.


247 – A Dilma fica? A Dilma sai?


Milton Neves – Num restaurante, outro dia, eu conversei com um assessor do Delfim Netto e ele se refere ao Delfim Netto como “o professor”. “O professor está pessimista”, ele disse. Agora, quem sou eu? Eu sou apenas um curioso, eu entendo mesmo de futebol e de Pelé. Apresentador de televisão é firme igual a um prego na gelatina. Você está no ar e de repente você sai. Você não está no ar e de repente você entra. Teu espaço é ampliado, teu espaço é diminuído. Então, eu não lamento nada. Se ficar todo mundo chorando aí a vaca vai para o brejo mesmo. Eu gostei muito do governo Fernando Henrique, gostei muito do governo Lula, a Dilma está com esses problemas todos aí, mas uma coisa eu me permito dizer: a Dilma Rousseff, que eu jamais vi de perto, nessa enxurrada de denúncias, nesse trabalho maravilhoso que o Sérgio Moro está fazendo, qual é a denúncia que tem contra ela, ela, do bolso dela? Não tem.


Boa Vista - RR, 07/08/2015. Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia de entrega de 747 unidades habitacionais dos Residenciais Pérola VI e VII e Ajuricaba, do Programa Minha Casa Minha Vida. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

-------------------------------------------------------

E cadê o dinheiro do Zé Genoíno? Você acha que ele ia morar nessa casa “Série C” e a filha dele morar numa Cohab da vida lá de Brasília?

--------------------------------------------------

Outro dia, no helicóptero do governo, que, por sinal, o governador Geraldo Alckmin vendeu, leiloou e o dinheiro foi para os cofres do estado, fomos inaugurar uma estrada vicinal que liga o leste de São Paulo com Muzambinho, no sul de Minas e ele deu o nome de Estrada Vicinal Carmen Fernandes Neves, fiquei emocionado, ele me convidou, eu fui. E, no caminho, diante de uns quatro ou cinco deputados, um belo helicóptero, com dez lugares, oito, estava o Silvio Torres, o Edson Aparecido, ele estava comendo uma paçoquinha e eu disse “Geraldo Alckmin, me diga uma coisa: com tanta denúncia nesse país – e basta ter visibilidade de um cargo importante, não há quem escape de uma denúncia – você foi vice do Covas duzentos anos, governador há 600 anos, quase foi presidente e até hoje não tem uma denúncia contra você, (ele comendo assim) diretamente contra você, não assessor, mas você ... qual é o segredo”? Ele acabou de comer a paçoquinha e falou: “ué, é fácil isso aí: é só não roubar”. Eu elogio Geraldo Alckmin e elogio a Dilma. É claro que meteram a mão, é uma vergonha essa história da Petrobrás, o mensalão foi uma coisa pequenininha perto do petrolão, mas o que é que tem contra a Dilma, contra a Dilma? Contra ela especificamente? No bolso dela? Nada! E o que tem, por exemplo, contra Geraldo Alckmin, que é oposição, é do PSDB? Nada! Então, esse negócio de dizer que todo cartola do futebol brasileiro não presta, o futebol está cheio de picareta, mas está cheio de gente boa também. Flavio Coffi, Fernando Carvalho, o Kalil, ex-presidente do Atlético Mineiro – e saiu porque quis, presidente maravilhoso – e então, generalizar político também é sacanagem. E eu não sou de partido nenhum. Eu sou do PMN. Existe esse partido, mas é o Partido do Milton Neves. Eu não preciso de política. Meu negócio é vender saliva e vender garganta. E falar de publicidade, de futebol e de jornalismo. Então, eu fico à vontade para não crucificar a Dilma, elogiar a honestidade dela e também do Geraldo Alckmin. E que são de dois partidos diferentes. Quero falar uma outra coisa: de Zé Genoíno. Outro dia eu falei isso na Rádio Bandeirantes e caíram no meu pé: “é, tá comprado pelo PT”! O Zé Genoíno dá entrevista para mim há trinta anos. Eu fiz belas entrevistas com ele. Inclusive um dia perguntei para ele quantos ele matou lá no Araguaia. E ele não quis falar. Uma vez...

247 – Ele não matou ninguém porque quando foi preso ainda estava treinando... a guerrilha não tinha começado...

Milton Neves – Ah, é? Isso eu não sabia, você sabe melhor que eu. E eu entrevistei também o Tuminha, o Romeu Tuma Jr. uma vez, delegado na época e eu perguntei: “escuta, quantos bandidos você matou”? Ele falou: “eu nunca matei ninguém, eu só abri buraquinho; quem mata é Deus”. Entrevistas memoráveis. Então, falei da honestidade do Geraldo Alckmin, falei da Dilma que não tem denúncia contra o bolso dela e o Zé Genoíno. O picareta, o ladrão, ele muitas vezes anda até de Brasília, de fusquinha, desbaratina, mas na casa do parente, da família, tem mordomia, o cara vive na maior mordomia do mundo com a mulher, com os netos, etc. Prenderam o Zé Genoíno. E ele levou porque assinou todos aqueles negócios lá sem ler. Como eu também já cometi esse tipo de erro – eu tinha um advogado que eu acreditava infelizmente muito nele, eu assinava também sem ler. E lembrando que eu entrevistei o Zé Genoíno mil vezes – e não é força de expressão – em trinta anos acreditei na sinceridade dele. Aí, ele foi preso. Considerando que corrupto sempre coloca família na mordomia, prenderam o Zé Genoíno. Prenderam aqui no Butantã. Eu vi lá no Jornal da Band, no Jornal Nacional, a imprensa toda diante do sobrado dele ali no Butantã e um sobrado de “Série C”, entendeu? “Série C”. É o Asa de Arapiraca do imóvel. Depois veio uma decisão judicial que ele não precisava ficar preso direto, podia ficar em prisão domiciliar em Brasília se ele tivesse parente lá. E ele tinha e tem uma filha que mora lá, mestiça de japonês. E ele foi morar lá. A imprensa toda filmou o prédio: uma Cohab da vida! Então, cadê o dinheiro desse cara? Outros, aí, do petrolão, o cara tem apartamentos para lá, para cá, o cara devolve 500 milhões de dólares... quem devolve 500 milhões de dólares é porque tem três bilhões! É igual à tese lá de Muzambinho, do rato e da barata. Quando você viu um rato, é porque tem mil; se você viu uma barata, é porque tem cinco mil baratas! E cadê o dinheiro do Zé Genoíno? Você acha que ele ia morar nessa casa “Série C” e a filha dele morar numa Cohab da vida lá de Brasília? E eu falei isso no ar. “Ahhh....tá comprado”! Eu não sou, não fui, nunca serei comprado. Eu dou minha opinião de brasileiro.


-------------------------------------------------------

Esse Fernando Haddad, que eu nunca vi mais gordo faz uns negócios aí, a maioria não está dando certo, mas ele faz, ele tenta!

--------------------------------------------------------

Teve uma eleição aí que eu fui processado. Porque minha tia irmã da minha mãe que morreu outro dia, de Mal de Alzheimer depois de vinte anos, Antônia Carlos Fernandes ela fez – quando começo a falar dela dá vontade de chorar – ela me criou – a mim, minha mãe, meu irmão, todo mundo. (Chora) Vinte anos dando aula! Eu sempre gostei de professora. Ela dava aula cedo, à tarde e à noite. Não casou para cuidar da minha avó, da minha mãe, do meu irmão, dos sobrinhos. Aí, o que aconteceu? Ela morreu. E quando teve uma eleição, aquele Cristovam Buarque, que eu nunca vi mais gordo na vida era candidato a presidente. Uma candidatura não folclórica, mas lotérica, para compor chapa e tal, porque a chance de ele ganhar era zero, entendeu? Ele teve votação pífia em relação aos outros candidatos lá. Perguntaram para mim: em quem você vai votar? Eu disse: “eu sei que parece que não pode, mas eu vou falar em quem eu vou votar, mesmo porque ele não vai ganhar. Eu voto no Cristovam Buarque porque ele é a favor da educação, eu fui criado por uma professora”. Processaram a mim e à Bandeirantes! Aí, claro, ele ficou em quarto, quinto, sexto lugar, sei lá e o caso caiu lá no STF para o Marco Aurélio Mello, torcedor do Flamengo, eu acho o português daquele homem uma coisa maravilhosa, acho ele fantástico e até hoje não me deram notícia, sinal de que devem ter arquivado o negócio. Porque se eu tivesse sido condenado sairia na mídia. Pô, eu falei por falar, como brasileiro, liberdade de expressão, como a turma fala. Eu gostava e gosto desse Cristovam porque ele defende a educação e me remete à minha criação por uma professora. Mas o coitado, é claro, não teve chance nenhuma. Mas me processaram. Eu tenho uma fórmula mágica para consertar o Brasil. Eu não vou ver isso, até porque eu já tenho 64 anos. Esse Fernando Haddad, que eu nunca vi mais gordo, é um sujeito que não está preocupado com o futuro dele. Ele faz uns negócios aí, a maioria não está dando certo, mas ele faz, ele tenta! E outra: qual é a denúncia que há contra ele, contra o bolso dele? Não tem. Lembra do Celso Pitta? Olha a diferença. Então, ele está fazendo umas coisas. Está ousando fazer. O que que eu quero dizer? O dia que o Brasil tiver uns dez grandes políticos kamikazes o Brasil vai consertar. Assim: o cara ganhou a eleição, ele fica quatro anos como presidente em Brasília investe em educação, educação, educação. Depois de quatro anos se ele se candidatar à reeleição será o último colocado porque o que ele fez foi abstrato, não foi concreto. Todo mundo vai dizer: ”Que merda de presidente, não fez porcaria nenhuma”! Só que ele aplicou silenciosamente numa cosia abstrata que é a educação. Vem o segundo. Ganhou a eleição. Faz a mesma coisa. Educação, educação, educação. Dali a quatro anos vão dizer que ele foi o pior presidente do Brasil, não fez nada, porque educação não dá para ver como estrada, como viaduto. Depois que tivermos dez brasileiros privilegiando a educação, educação, educação durante esses quarenta anos – dez presidentes, quarenta anos – o décimo-primeiro que assumir vai pegar um país educado, com menos droga, com menos violência, com menos polícia, com menos presídio, como aconteceu agora na Suécia. Aquele Cabralzinho, ex-jogador do Santos, do Bangu, do São Bento de Sorocaba, técnico, roubado naquela final de 95 contra o Botafogo, ele foi morar na Suécia, em Estocolmo, onde mora uma das filhas. Até a mulher dele morreu lá. Ele jogou com Pelé. Eu o entrevistei outro dia na rádio Bandeirantes e ele contou que na Suécia aconteceu um problema muito sério em relação a seus presídios: tiveram que desativar cinco presídios por falta de presos. Então, o dia que o Brasil tiver dez presidentes, kamikazes politicamente, aplicando na educação nós vamos ter esse “problema” também. Vamos ter que desativar um monte de presídios no país por falta de presos. Enquanto não aplicarem em educação é tudo conversa mole. Vai continuar a corrupção, vai continuar droga, vai continuar violência, a desunião familiar. O Brasil precisa voltar à época em que o filho e o neto falavam “a bênção, mãe”, “a bênção, pai”, “a bênção, avô”. Eu namorava minha mulher, a gente só podia namorar quinta até sete e meia da noite e domingo até sete e meia da noite. E meus cunhados tinham que chegar em casa às oito. O dia que a mãe voltar a ser a primeira-ministra da casa, o pai o presidente da casa e os filhos morrerem de medo e de respeito pelo pai e pela mãe, aí vai acabar a droga e vai acabar a violência. Porque não adianta o melhor presidente do mundo. Você pode pôr o Churchill, ressuscitar e botar de presidente do Brasil, pode ser o Fernando Henrique de novo, pode ser o Lula de novo, menos o José Sarney, pode ser qualquer presidente da História. Não vai funcionar enquanto não aplicarem na educação. Eu sou um jornalista esportivo, publicitário, mas eu sou apaixonado por uma coisa para a qual não ligam no Brasil: educação.



247 – Mas por que não se investe em educação?

Milton Neves – Porque não dá voto. Esse Haddad – não que esteja aplicando em educação – mas ele está fazendo umas coisas ousadas demais, está arriscando demais. Essa medida de limitar velocidade nas Marginais virou gozação, pessoal andando de patinete, não sei que, mas a estatística mostra que morrem dois e até três motoqueiros em São Paulo por dia. Aí alguém diz: “ah, mas isso não é atropelamento, é acidente”. Na-na-ni-na-não! O motociclista não morre porque cai da moto; ele morre atropelado ao cair da moto porque vem gente a sessenta, oitenta por hora e não consegue brecar, passa por cima do cara. Em 90% dos acidentes com motoqueiros eles morrem atropelados, não morrem no acidente em si, bateu e morreu. Então eu acho o Haddad bem-intencionado, mas eu tenho certeza que ele vai perder a reeleição agora na reeleição dele. Mas eu acho ele um bom político e também não tem denúncia contra ele.

“O Datena em 2011, 2012 deu uma entrevista dizendo que não achava correto um apresentador de televisão ser candidato. Pô, mas tudo na vida muda”!

-----------------------------------------------

247 – Nunca te convidaram para ser político?

Milton Neves – Já. Já me convidaram para governador, para senador, para vereador, para deputado federal, estadual, mas eu... eu já me filiei uma vez ao PL e aí saiu – igual está saindo do Datena agora – aí saiu no Estadão que eu ia ser candidato a prefeito. E eu tinha me filiado uma vez que o Fleury pediu para compor uma quantidade de filiados do PMDB, eu nem lembrava que eu tinha sido filiado, entendeu? Ele me ligou até em Muzambinho, numa sexta-feira à noite, que eu estava de folga por lá. Essa minha tia querida atendeu, chegou e falou assim “ó, tem um homem aí dizendo que é o Fleury governador, mas eu acho que é mentira”. E era ele mesmo. Eu tinha muito antes me filiado ao PL, numa época em que eu estava começando a aparecer eu resolvi entrar no PL para ser candidato a vereador. Quando saiu no Estadão que eu ia ser candidato a governador, a prefeito, sei lá, aí eu fui impugnado: provaram que eu tinha duas filiações. E eu nem sabia. Hoje não sou filiado a nada, não vou ser candidato a nada e o Datena, você vê, já saiu que ele vai ser candidato e aí já veio o Maluf dizendo não, não vamos apoiar, nós temos que apoiar é o Haddad, não sei que. É claro que o Datena sabe onde pisa, mas há alguns anos, em 2011, 2012 ele deu uma entrevista dizendo que não achava correto um apresentador, um cara que tem credibilidade, tem popularidade na televisão ser candidato. Agora estão recuperando essas entrevistas. Pô, mas tudo na vida muda! Ele pensava isso em 2011, 2012, mas ele pode ter se arrependido e não pensa mais o que pensava quatro anos atrás, ele tem o direito de mudar de opinião, até porque o único cara que não tem tempo e direito ao arrependimento é o suicida bem-sucedido. Então, que o Datena faça o que achar melhor e olha, se ele se candidatar a chance dele é grande.

247 – Se ele conseguir ser candidato... lembra o Silvio Santos?

Milton Neves – Ah, é, vão falar isso e aquilo, pode ter certeza, estão levantando coisas. Mas não há absolutamente nada. O Datena é um cara estourado e de vida limpa.


“O chute que eu dou é que não vai ter impeachment da Dilma, não. Só teria impeachment se houvesse prova concreta de que ela se beneficiou diretamente no bolso dela”.

-----------------------------------------------------------------


247 – E o teu prognóstico qual é? Dilma fica? Dilma cai?


Milton Neves – É claro que a tua pergunta é como perguntar o que vai acontecer com o Brasil. Em 2014 eu acertei. Eu falei o Brasil vai ser uma vergonha, porque na guerra da Copa nós só temos um general no nosso exército, que é o Neymar, tem um ou outro tenente-coronel, tem um pouquinho de sargento e duzentos soldados rasos. Eu falei isso milhões de vezes. Acertei. Quando você acerta, ninguém fala nada. Agora, quando você erra uma coisa cai o mundo na tua cabeça. Meu palpite, como eu acho que o Brasil, por exemplo, tem chance zero de não se classificar para a Copa da Rússia, mas o Brasil tem chance zero de ganhar a Copa de 2018. Porque você não forja uma nova geração em quatro anos, vai demorar uns dez anos. Então, o chute que eu dou é que não vai ter impeachment da Dilma, não. Só teria impeachment se houvesse prova concreta de que ela se beneficiou diretamente no bolso dela. Agora, pessoas erradas, ladrões ou não que circulam e circularam no governo não envolve o bolso dela. Eu acredito nisso. O Collor caiu por quê? Porque aquele Eriberto falou que pagava as contas dele com o dinheiro do PC Farias. O meu palpite é que ela não vai sair. Mas essa indefinição – impeachment, sim ou não? – para mim está mais para não do que para sim, isso aí é que está atazanando o dólar, nossa economia, o ânimo dos empresários, está todo mundo assustado.

247 – E se fizessem uma Lava Jato no futebol, algum clube escaparia?

Milton Neves – Estão fazendo agora, finalmente, uma pequena Lava Jato, pequena em relação à Petrobrás.

247 – Mas quem está fazendo é a Interpol.

Milton Neves – Ô uma coisa que eu acertei também: quando o José Maria Marin entrou como presidente da CBF começou a levar porrada. E eu sou amigo de um cara que foi assessor dele, ou é assessor, que gosta muito do Juventus - eu também gosto muito do Juventus - chamado Fausto Camunha, que já foi até vereador, candidato a deputado. Eu falei assim: “ô, Fausto Camunha, fala para o Marin largar mão dessa porcaria, isso é uma merda, entrar no futebol, o homem vai fazer oitenta anos, ele vai virar vidraça, já está esquecido, o cara, bionicamente ou não, merecidamente ou não já foi o segundo homem politicamente mais importante do Brasil. Porque os três cargos mais importantes do Brasil são: presidente da República, governador de São Paulo e prefeito de São Paulo. O Vicente Matheus já achava que o segundo cargo mais importante do país era presidente do Corinthians. “Fala para ele largar disso, ele vai levar pedrada, o homem já tá véio, avô, milionário” ele mora aqui nos Jardins no mesmo prédio do seu Tuta, o dono da Jovem Pan.

247 – O Marin tem aquele tríplex ainda na Joaquim Eugênio de Lima que comprou depois de ser governador?

Milton Neves – Eu não sei se é duplex ou tríplex, mas é um prédio sensacional na Padre João Manoel. E não deu outra, olha o que aconteceu com o homem, o homem está preso, entendeu? E é claro: se o FBI pegou é porque tem base. Agora ele nessa cartolagem, como diz Ricardo Eugênio Boechat... a cartolagem está errando faz cem anos e o homem entrou agora, está pagando pelos jogos anteriores. Porque não devia ter entrado. É mais ou menos como o empresári0 Delci Sonda, que mora no meu condomínio – aliás, eu é que levei para morar no meu condomínio, ele foi me visitar, gostou do bairro lá – e ele é anunciante meu na Jovem Pan desde 92, 93. E ele é torcedor do Santos e do Internacional. É um cara muito rico, sem filhos e resolveu ser isso aí, empresário de jogador de futebol. Rapaz, ele está processando ex-funcionários, ele foi operadíssimo no caso Neymar, foi passado para trás, o caso está na Justiça de Santos e da Catalunia, na Espanha e eu falava para ele, em jantares em grandes restaurantes de São Paulo: “larga a mão... você ficou milionário vendendo comida... agora você fica aí mexendo com futebol... isso aí é dinheiro hipócrita, nebuloso, não entra nessa, você não precisa disso, isso aí é para gente que se aproveitou da Lei Pelé que criou a figura do empresário”.

Boletim ao vivo para a rádio Band News FM às 13h22 de 30/07/2015

Instalado no sofá de seu escritório Milton Neves conversa por telefone celular com os âncoras Tatiana Vasconcelos e Paulo Cabral: “O Corinthians massacrou ontem o pior Vasco de todos os tempos e eu estou aqui, viu, ô Paulo, um abraço para a Tatiana, com Alex Solnik, este bíblico jornalista brasileiro, eu estou dando entrevista para ele e ele está bravo com você, viu, Paulo Cabral. Porque você fala mal da Macabíada. Yehuda Macabi, guerreiro judeu, que originou as Macabíadas acontecendo, para desespero de Hitler, lá nos quintos dos infernos, no tacho do capeta, está tendo Macabíada lá no estádio de Berlim, entendeu, para acabar de matar o Hitler, esse coisa ruim da história. Boa tarde para vocês dois aí no estúdio do Morumbi. (Milton escuta seus interlocutores.) Eu cobri nove Macabíadas: três em Israel, fui também a Nova York, Montevidéu, Chicago, Toronto, Buenos Aires, etc e tal. É uma competição interessante do mundo judaico, envolvendo o esporte e a religião. Mas a religião corintiana, que é a nossa, não é, Tatiana? Nós não somos da religião Corinthians? Nós ganhamos ontem do Vasco... olha, eu sou do tempo do Miguel, Paulo, Bellini, Elcio, Orlando e Coronel, de Roberto Dinamite, Bebeto, Romário, do Edmundo, como o Vasco foi grande e eternamente será grande, mas é uma vergonha o time que o Vasco está apresentando ao país. (Escuta seus interlocutores.) Não, mas faz trezentos anos que o Vasco se apequenou. O Roberto Dinamite foi um traque lá. E com Eurico Miranda, que tinha que melhorar, deu uma piorada. Ontem tomou de três a zero. E olha que não tomou gols no primeiro tempo porque o Wagner Love, que já estão chamando de Wagner Mole, Wagner Poste, ele acabou saindo e o Corinthians ganhou de três a zero. O Corinthians é o segundo melhor time do Brasil. O primeiro, claro é o Galo. E o Pato falou que o Mineirão era neutro. É mesmo! É neutralizador de visitante. O que tem de gozação na rede em cima do Pato... do coitado do Rogério Ceni que tomou três gols em bolas impegáveis ontem, mas esse Lucas Pratto, eu não sei como é que esse rapaz não joga na seleção argentina! Ontem ele fez três gols, perdeu mais uns dois, fez o quarto que milimetricamente arrumaram um impedimento lá. Mas que jogadorzaço, viu! Parabéns ao Clube Atlético Mineiro, a torcida do Galo é fantástica. Mas o Corinthians teve uma grande vitória. E o campeonato esse ano vai ser empolgante, porque os times nivelados e eu perdi meu mote de meter o pau nos pontos corridos do campeonato brasileiro. E eu acertei todos os meus palpites ontem e eu gravei hoje para o Ricardo Eugênio Boechat e dona Tatiana, minha perseguidora... eu persigo o Paulo e ela me persegue... você não fez justiça a mim hoje. Acertei tudo hoje. Eu falei dois a zero para o Corinthians e dois a zero para o Galo. Acertei! (Ela contesta.) Mas você quer que eu acerte na mosca? Aí é mais fácil ganhar na megasena, aí eu saio do buraco, que eu estou numa dureza danada. Mas você é uma grande jornalista e o Paulo Cabral morre de inveja de você porque você é mais competente que ele. Um abraço pra vocês. Tchau!”

---------------------------------------------------

“Esse negócio do Malafaia realmente foi irreverência do Boechat e tal, mas o Malafaia gosta de barulho também”.

------------------------------------------------

247 – E o Boechat? Como está o Boechat com a “rola” e tudo o mais?

Milton Neves – Ah, foi um barulho danado, rapaz! Mas o Boechat, ontem, olha que coincidência! Eu tenho três filhos, o Rafael, que está aqui, por sinal, reunido com a equipe dele, trabalha com e-commerce na internet; o Fábio Lucas, que trabalha com fazenda, pecuária, em Minas Gerais, mas está de férias em Nova York, vamos todos nos unir a ele no final de semana, se Deus quiser, e o mais novo que é o Milton Neves Neto, também trabalha com e-commerce aqui no 21º desse prédio. E ontem, num evento internacional de e-commerce aqui em São Paulo o Boechat foi fazer uma palestra, meu filho deu um abraço nele, se apresentou, a foto está na internet, eu fiquei muito emocionado. O Ricardo Eugênio Boechat é argentino, mas ele não gosta que falem, ele nasceu em Buenos Aires e argentino tem tudo nome duplo, Diego Armando Maradona, Daniel Alberto Passarela, lá é tudo nome duplo, aliás eu acho bonito isso, tanto que eu tenho um filho chamado Fábio Lucas e o Rafael Eduardo, e o Milton Neves Neto, que não deu para colocar nome duplo. E o Milton Neves Neto encontrou com o Boechat ontem, tiraram uma foto, e o Boechat é, hoje, o maior jornalista do Brasil. O grande general, hoje, é claro, é o chefe... uma carreira bonita, é o rapaz lá, o William Bonner – por sinal, está em Nova York, talvez eu encontre com ele lá – o Bonner é o cara mais importante, é do Jornal Nacional, mas, para mim, o maior jornalista do Brasil é o Boechat, que é apresentador, que é opinador, que não fica em cima do muro por irresponsabilidade, porque tem cara que fala um monte de merda e acha que isso é ser polêmico. O Ricardo Eugênio Boechat, que tem trocentos processos, inclusive do Roberto Requião lá do Paraná, mas ele é um sujeito que hoje dita a audiência. A rádio Band News FM, criação do executivo Mário Baccei (Baccei é b-a-c-c-e-i) é hoje a principal emissora de rádio em termos nacionais e a CBN, que é uma rádio muito boa também foi superada pela Band News FM no Rio de Janeiro, que é a terra do Boechat e também em Brasília. Então, o Ricardo Eugênio Boechat... ele opina, inclusive, durante o Jornal da Band, é um cara que veio para São Paulo e acertou na mosca... Band-Boechat foi um grande casamento. Esse negócio do Malafaia realmente foi irreverência dele e tal, mas o Malafaia gosta de barulho também. Sabe o que é, do jeito dele ou não, o Boechat, o Malafaia, cada um de um lado aí, mas o negócio é o seguinte: no futebol, eu sempre gostei, desde menino, do Almir Pernambuquinho, porque ele agitava adoidado, eu ficava vendo a TV Tupi, TV Record na casa dos vizinhos porque na minha casa nunca teve televisão, nem geladeira, nem fogão a gás e eu sempre gostei de cara polêmico, como Edmundo, Neto, o Citadini, se ele tivesse ganho a eleição no Corinthians, ele é um cara polêmico... nós precisamos de gente assim.... o próprio Eurico Miranda, fiz muitos programas bons com ele, precisamos de gente assim, porque está uma mesmice danada. Eu gosto de gente não da mesmice, eu gosto de gente polêmica, com responsabilidade: Almir Pernambuquinho, Serginho Chulapa, Beijoca... Beijoca era um cara que enchia a cara sábado até às cinco da tarde, o jogo era às seis e ele entrava e fazia gol.


247 – Eu tive um professor assim. Ele podia beber um litro de vodca por dia e não se alterava: Rudá de Andrade, filho do Oswald.

Milton Neves – Aí é um caso excepcional. É o caso daquele cara que fuma. “É, cigarro não faz mal, meu avô fumou e viveu 100 anos, eu fumei durante 80 anos”! Isso é um em cada mil. Os outros 999 morreram. Eu gosto muito de frase feita, mas bem feita. Eu li no avião outro dia a seguinte frase: “cigarro nada mais é que um cilindro de papel cheio de fumo com uma brasa numa ponta e um trouxa na outra”. Agora, esse negócio de tomar um litro de vodca, eu tenho um amigo chamado Samuel Ferro, a gente cobriu muita Macabíada junto, não é que ele tomava uma dose e não ficava bêbado... quando vinha o carrinho de bebida no avião, naquele tempo se servia tudo, hoje está regulado, só dão paçoquinha, quando aparecia lá no começo do avião o carrinho da aeromoça com uísque, vinho só de olhar a garrafa ele já ficava bêbado.

“Mano Menezes não emplacou nem como cervejeiro. Mano Menezes querendo vender cerveja, ao contrário do Milton Neves e do Zeca Pagodinho, ele não tem nada a ver, ele parece um professor de química”.

-------------------------------------------------------------


247 – O que o Dunga foi fazer na seleção?


Milton Neves – Meter o pau na seleção brasileira é como aquela velha máxima, acho que é do Che Guevara: hay gobierno, soy contra. Sei lá de quem é isso.

247 – É do Pasquim.
Milton Neves – Grande Pasquim! É muito fácil meter o pau em qualquer técnico. E eu meti muito o pau no Dunga em 2010 porque ele não convocou Neymar e Ganso e falei para ele em rede nacional. E ele respondeu: “ah, você não entende nada, teu negócio é propaganda”. “Se você é brahmeiro eu sou brahmeiro também, só que eu faço brahma melhor que você” – eu falei para ele, mas já tinham cortado o meu microfone – isso foi no Hotel Windsor, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. E ele perdeu a Copa do Mundo, mas fez uma boa campanha. E antes da Copa ele foi bem também. Claro, não ganhou a Copa do Mundo, tiraram. Mas botaram o Mano Menezes porque o meu amigo Muricy Ramalho burramente não aceitou. Mano Menezes não emplacou nem como cervejeiro. Mano Menezes querendo vender cerveja, ao contrário do Milton Neves e do Zeca Pagodinho, ele não tem nada a ver, ele parece um professor de química querendo beber cerveja, a Kaiser tir0u ele logo do ar. Deve ter pago o ano inteiro, dois anos, sei lá, mas tirou ele do ar. Não tinha empatia nenhuma. Aí ele entrou na seleção, foi mal, entrou o Felipão, que não podia nunca ter entrado porque já estava completamente superado, vinha de ter rebaixado o Palmeiras para a segunda divisão e chegamos à conclusão que o Dunga era melhor do que esses caras todos aí. E o Dunga voltou. Nisso eu acho que a CBF acertou. Felipão, que é um técnico superadíssimo, faz muitos anos, hoje está ganhando mais dinheiro ainda honestamente, lá na China - a chinesada é muito trouxa, lá tem mais dinheiro hoje do que chinês – e estão pagando um absurdo para muita gente, jogador, treinador, mas uma coisa tem que ser dita do Felipão e também do Dunga: eles já convocaram muita gente pela orelha grande, mas nunca pelo bolso. O mesmo não se aplica a outros treinadores aí, do mundo. Porque você indo para a seleção do seu país, principalmente seleção importante como Alemanha, Espanha, Brasil, Argentina, você convoca o cara, o passe do cara valia 1, passa a valer 20.

247 – Na Copa América mesmo foi vendido um tal de Firmino que jogou na seleção brasileira por uma grana preta!

Milton Neves – Roberto Firmino é um jogador que, se jogasse nos anos 60, a época áurea da minha vida, no Santos ele nem treinava, na Academia do Palmeiras ele nem treinava. Agora, hoje o cara vira gênio. Nunca o nível técnico foi tão ruim como hoje.

----------------------------------------------------------

“O Felipão é o responsável pelo maior fracasso da história do futebol brasileiro e a maior tristeza desde que Charles Miller chegou ao país com uma bola debaixo do braço”.

--------------------------------------------------------------

247 – Não seria melhor formar a seleção só com quem joga no Brasil?

Milton Neves – Se convocarmos hoje uma seleção brasileira só com jogadores do Brasil nós vamos virar sabe o que? Uma seleção da Bolívia. Uma seleção da Venezuela. Uma seleção da Albânia. Nós não temos jogador. Meu amigo Muricy Ramalho burramente não aceitou treinar a seleção. Eu briguei com ele, gravei cinco vezes recado para ele: “deixa de ser burro, vai para a seleção, é a glória da glória”, como falei para o Felipão em 2001, “Felipão, você está pipocando, teu pai que está no céu vai te bater na bunda hoje à noite se você não aceitar a seleção brasileira”... E ele (bufa, imitando Felipão) “não fala no meu pai, não”... aquele jeito dele... “A tua mãe está viva lá em Passo Fundo, vai ficar orgulhosa”! “Não vou”! Dali a mês, foi. Graças a Deus. Ele foi brilhante em 2002. Só que ele foi tão trágico no 7 a 1 que ele passou para a história com 1% da fama de 2002 e 99% com o 7 a 1. O Felipão é um Barbosa um bilhão de vezes mais culpado. Convocou mal, escalou mal, substituiu mal e entrou com o time com as pernas abertas contra a Alemanha. Foi 7 a 1 porque os alemães ficaram com medo... cinco a zero no primeiro tempo, o campo não tem alambrado, “vamos parar de fazer gol nos caras porque eles vão invadir e matar a gente”. Ganharam só de 7 a 1. Naquele dia era para ter ganho de 15. O Felipão é o responsável pelo maior fracasso da história do futebol brasileiro e a maior tristeza desde que Charles Miller chegou ao país com uma bola debaixo do braço.



247 – Vai ser difícil apagar isso aí.


Milton Neves – Nunca vai ser apagado. Agora, crucificou-se a seleção de 1950. Nós fomos vice-campeões, jogamos pelo empate, no segundo tempo estava um a zero para o Brasil, tomamos o empate aos 28 e o segundo gol aos 34, a dez minutos do título. Só o Zizinho jogava mais que a seleção do Felipão inteira, até com o Neymar. Crucificou-se tanto esses caras que na Copa de 54, na Suíça, não levaram o Zizinho. Em 1957 Zizinho veio para São Paulo e foi campeão paulista! E os times eram muito bons. A Ferroviária tinha Rosã, Bazzani, Beni, Dirceu Careca, Peixinho, Laerte. Era um time que hoje estaria ganhando o campeonato brasileiro. O Comercial de Ribeirão Preto foi nos anos 50, 60 o melhor time que o Brasil tem hoje. Só que o interior morreu. Morreu para o rádio – não se revela mais ninguém. Os grandes nomes do rádio vieram do interior: José Silvério, Sul de Minas Gerais; Fiori Gigliotti, de Barra Bonita; José Italiano, de São Carlos; Joseval Peixoto, de Presidente Prudente; Randal Juliano, de Barra Bonita; Orlando Duarte, de Rancharia. Antigamente, a gente começava no alto falante da cidade. Não tinha droga, não tinha violência. Depois você ia para a radinho lá e a rádio transmitia o futebolzinho da cidade. Hoje as rádios estão todas alugadas para os pastores. E a molecada quer saber de barzinho, de internet, não quer saber de alto falante, de falar na rádio da cidade, não aparece mais locutor de rádio. Acabou. Não tem time para transmitir futebol. Os times do interior acabaram. O 15 de Jaú acabou, a Portuguesa Santista está mal das pernas... Nacional, Prudentina, Ferroviária, São José. Guarani tá fechando.

-------------------------------------------------------

“Eu tenho tudo: tenho apartamento em Miami, dois apartamentos em Nova York, eu tenho envolvimento com fazenda, com imóveis em São Paulo, tudo deu certo na minha vida”

---------------------------------------------------------

247 – Como você treinou tua memória para guardar tantos placares e escalações de times que você tem na ponta da língua?

Milton Neves – É simples. Quando você tem a cabeça limpinha, sem problemas – eu tive uma infância e uma adolescência pobres e eu nunca assinei jornal nenhum. Então eu lia do Ivonaldo Vieira, tio desse Alexandre Nero, grande ator, o pai dele, o Biluca o Ibrahim Nero Vieira é de Muzambinho, filho do Valdomiro Chofer, ele teve 24 filhos, nove nasceram mortos, dos que sobreviveram só ficou o pai do Alexandre Nero. E nessa época ele trabalhava no Crédito Real e assinava a Gazeta Esportiva, então eu ficava esperando no ponto do ônibus chegar o expresso com a Gazeta Esportiva para ler. O Luiz Carlos, do Bar Avenida, assinava o Estadão, eu ia lá... eu assistia televisão na casa do Rubens Abrão... ou na casa do lado, do Geraldo Cunha... na minha casa não tinha nem rádio... minha tia Antônia um dia me deu um rádio GE, que foi a minha grande faculdade. Então, você está com a cabeça limpinha, não tem nenhum problema – eu tive uma infância e adolescência pobres, mas com muita dignidade – eu era muito mais feliz naquele tempo do que hoje que eu tenho tudo. Eu tenho tudo: tenho apartamento em Miami, dois apartamentos em Nova York, eu tenho envolvimento com fazenda, com imóveis em São Paulo, tudo deu certo na minha vida, mas a base foi lá. Então, esse negócio de memória é igual a meus filhos. Eu não tinha dinheiro, mas tinha três moleques crescendo, falei para minha mulher põe na Cultura Inglesa – que eu sou monoglota – “quero meus filhos na Cultura Inglesa”... “ah, mas não tem dinheiro”... “Não interessa! Faz à prestação”! Meu moleque fala cinco idiomas, outro fala quatro... o outro fala quatro... inglês para eles é igual a português e eu sou um monoglota definitivo – não sei falar nem portunhol. Esses moleques aprenderam quando eram pequenos. Na época em que eu tinha a cabeça com ausência de problemas eu decorava esses times todos. Portuguesa Santista, que subiu em 1963 ganhando de um a zero, gol de Samarone, da Ponte Preta, lá em Campinas, o time jogou com Claudio Cortejano, Alberto, Adelson, Osmar e Dé; Norberto, Pereirinha, Zico, Lio, Valdir Teixeira e Samarone ou Baba na ponta esquerda. Eu lembrava desses times todos. Corinthians ganhou no dia 6 de março de 1968 do Santos, no Pacaembu, quebrando o tabu...Diogo, Oswaldo Cunha, Ditão, Luiz Carlos, Gualter e Maciel; Edson Cegonha (que morreu a semana passada e foi casado com a Beth Carvalho) Edson e Rivelino; Buião, Paulo Borges, Flávio e Eduardo, técnico Lula. Eu sei de tudo! Gilmar, Lima, Mauro e Dalmo; Zito e Calvet; Durval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Anos 60, começo dos anos 70. Se me perguntar a escalação da seleção brasileira no último jogo da Copa contra a Alemanha, eu não sei. A escalação do Santos que jogou domingo cedo contra o Joinville, eu não sei. Eu lembro de tudo dos anos 60 porque eu não tinha nada na cabeça! Hoje eu estou com problema aqui no dente porque enquanto eu fico de manhã, tomando banho, eu fico pensando no que eu tenho que fazer... hoje tenho que falar com o Laércio Benko Lopes, que vai alugar um espaço grande que eu tenho... eu tenho três andares nesse prédio juntando tudo... e o Alex vem aqui me entrevistar... eu tenho que jantar com o Sergei Cobra Arbex... eu fico pensando que tenho que fazer isso, tenho que fazer aquilo, tenho que pegar dólar que eu vou viajar domingo à meia-noite e aí eu esfrego a mais lá e tenho que ir na dentista consertar o buraquinho aí.


247 – Fora que a tua cabeça é muito grande, cabe muita coisa.


Milton Neves – A turma fala assim “Milton, você é muito cabeçudo, tua cabeça é grande”. E eu respondo: “é porque você não viu a outra”! Deus foi muito bom para mim, deu tudo muito certo, e o pessoal... tem muito patrulheiro, tem muita inveja... a inveja é o mau hálito da alma...

----------------------------------------------------------

“O Pedro Bial, um dos maiores jornalistas de todos os tempos está fazendo Fiat! A nossa amiga Fátima Bernardes, grande apresentadora do Jornal Nacional está aí fazendo mortadela”.

-----------------------------------------------

247 – Essa perseguição com você por causa de fazer propaganda foi terrível... e injusta.

Milton Neves – Agora os patrulheiros silenciaram porque o Pedro Bial, um dos maiores jornalistas de todos os tempos está fazendo Fiat! A Patricia Poeta, que foi do Jornal Nacional fazendo comercial. A nossa amiga Fátima Bernardes, grande apresentadora do Jornal Nacional está aí fazendo mortadela. O Tiago Leifert saiu do futebol, foi para o entretenimento está fazendo propaganda. Marilia Gabriela, um dos maiores nomes do jornalismo desse país... eu falo se foi pênalti ou se não foi, se o Pelé jogou bem ou não jogou bem... ela, não, ela mediou os grandes debates presidenciais, Collor, Lula, etc, ela faz propaganda e assina: jornalista Marília Gabriela. O que arrumou a minha vida, aqui nas minhas paredes tem grandes cases na minha vida, porque ninguém defende melhor uma campanha publicitária do que o Miltão aqui, tanto é que nessa crise eu continuo com meus clientes... fui contratado pela Sodimac também, que é a maior empresa de material de construção da América do Sul, grupo chileno junto com a Di Cicco aqui de São Paulo, entendeu? É Milton Neves na parada. Agora, você vê... e os hipócritas dos patrulheiros nunca falaram... pega a Folha de S.Paulo, que é minha patroa também, que eu sou do Agora São Paulo, pega o Estadão, revistas semanais, eles inventaram brilhantemente o merchandising impresso. Então você tem na primeira página metade da primeira página falsa com a metade do logo do jornal, da marca do jornal que a coisa mais importante que o jornal tem é a sua marca. O importante da Coca-Cola não é o líquido, é a marca, que, segundo consta é a marca mais forte do mundo. Então você tem ali, inclusive, com o nome do diretor de redação responsável pela publicação da revista semanal X, você tem ali na capa o merchandising impresso. Por que não se fala nisso? Só que é uma coisa inteligente. Em tempos bicudos como esse, os jornais sacaram... os jornais miltonneviaram, entendeu? “Opa! O que o Milton Neves faz no rádio e na televisão nós precisamos fazer aqui também”! Foram fazer na mídia impressa o que o Milton Neves fez nesses anos todos. Por que não se mete o pau no Estadão, na Folha, na Isto É? Na Época? Eu não sei se a Veja já vendeu a primeira página, capa falsa... Mas isso aí é uma medida inteligente e honesta...

-------------------------------------------------------

“Eu tenho o pior defeito de um ser humano que nasceu na República Federativa do Brasil: fiquei rico”!

----------------------------------------------------


E eu fiz grandes campanhas publicitárias! Ao longo disso eu me mantenho há 43 anos no ar, estou na televisão desde 1999 todo domingo à noite...gerando muito emprego, dinheiro para as empresas que me contratam, arrumei a minha vida... aí tem uns patrulheiros, um dia me perguntaram: “você é muito metido, você pensa que não tem defeitos”? “Eu tenho, sim”. Eu tenho uma manchete boa para você: “eu tenho defeitos, sim, mas eu tenho inclusive o pior defeito de um ser humano que nasceu na República Federativa do Brasil”. Qual é o teu defeito tão grande? “Fiquei rico”! Esse é o maior defeito! Agora, explicando: eu não sou pobre mesmo, mas eu sou rico, trilionário diante da minha infância, diante da minha adolescência e perante 99,5% das pessoas que trabalham comigo no rádio e na televisão.... Agora, perante alguns empresários com os quais eu trabalho aí eu sou Série C.

247 – Comparado com a Lava Jato?

Milton Neves – Mesmo comparando com os empresários honestos com os quais trabalho, Nossa Senhora, eu sou remediado perto deles, porque tem cara aí que tá louco! A Globo inventou esse negócio de que jornalista não pode fazer propaganda. Então, o Pedro Bial está fazendo a Fiat, muito bem feito, as moças que eu citei... mas, peraí: amanhã, o Pedro Bial – eu nunca vou esquecer de uma matéria que ele fez em Moscou quando Yeltsin tomou o poder. E o Bial fez um discurso na praça, ele sentou – eu contei essa história no avião para ele e ele falou “mas que memória você tem”, falei “não, foi emblemático demais”. Ele subiu em cima de uns destroços e falou no Jornal Nacional o seguinte: “Estou aqui em Moscou, Yeltsin é o novo mandatário e eu não durmo há três dias porque meus olhos não se fecham pois não se cansam de ver tanta história”. “Mas como é que você lembra disso”? ele perguntou. “Eu tenho memória”! Então, ele está fazendo Fiat. Você acha que ele vai ficar a vida inteira no entretenimento?! Amanhã vão colocar ele para fazer uma grande reportagem qualquer e aí o que faz com os comerciais? Cancela? A Fátima Bernardes volta para o Jornal Nacional. E a mortadela dela? E a linguiça dela? O que é que vai fazer? Vai devolver o dinheiro? A Patrícia Poeta volta ao Jornal Nacional. O que vai fazer com a Ypê que ela faz lá? Então, é uma hipocrisia danada! A patrulha é alimentada pela inveja! É gente que quer ter dinheiro e não tem dinheiro e fica puto da vida com quem está ganhando dinheiro. A inveja foi feita para foder o invejoso! Eu não ganho pouco... digamos que eu ganho X... o invejoso... que a inveja foi feita para foder o invejoso. Se eu ganho 10 o cara, por ser invejoso, acha que eu ganho 100, 200, 300. Esse negócio da Globo “jornalista nosso não pode fazer propaganda”, mas no entretenimento pode. Isso é uma saída hipócrita para dizer que todo mundo está dando uma de Milton Neves. Podem dizer “não, agora já liberamos”. Não, só podem fazer porque foram para o entretenimento.

-------------------------------------------------------

“Eu enganava no colégio de manhã, ia na sinuca à tarde e jogava baralho até de madrugada. Eu era um vagabundo”.

------------------------------------------------------

247 – Incompatibilidade mesmo sabe o que é? Se a Ticiana Villas Boas continuasse no jornalismo depois de casar com o dono da Friboi. Imagina se um dia ela como apresentadora de telejornal tivesse que ler a notícia de que o marido está sendo processado por causa do BNDES! Eu acho que ela saiu da Band por isso.

Milton Neves – Eu gosto muito dela, trabalhei com ela dez anos, não conheço o marido dela, fui convidado para o casamento, o pai dela, seu Dirceu, ficou triste por eu não ter ido, fui num dia que eu estava em Guaxupé, mexendo com negócio de fazenda lá, mas você tem razão nisso. A minha primeira e única namorada é lá de Muzambinho. Namoro, noivado e casamento desde 1967. O pai dela tinha um bar e eu trabalhava na rádio. No intervalo do programa eu ia comer um quibe ou um pastel. O dinheiro dava para um quibe ou um pastel. Bar Pinguim. Um dia eu fui lá, e o Hélio Magnoni, o Bibi, meu sogro, estava lá ouvindo “O Poder da Mensagem”, com Hélio Ribeiro. Aí, eu comendo o quibe, quem fazia era um garçom chamado Moacir, eu falei “Bibi, eu ainda vou trabalhar na rádio Bandeirantes”. E ele: “quá, quá, quá, vai sim, vai ser o faxineiro lá”. Eu vou de vez em quando ao banheiro da Bandeirantes e você acredita que eu lembro disso? Ontem mesmo. É só entrar no banheiro da Rádio Bandeirantes eu lembro do meu sogro. Mas eu não namorava ainda a filha dele. Namorava uma moça chamada Maura. Ela largou de mim no recreio das dez. Ela estudava numa outra sala, usava uma japona vermelha e eu a seguia no recreio das dez. Maura Alves, dentista, mora aqui no ABC. Separada. Teve uma filha, segundo consta muito bonita. No recreio nós sentamos e ela falou: tenho um negócio chato para te falar: “nosso namoro vai acabar”. “Mas o que é que eu fiz”? “Não, meu pai falou que você não tem futuro, tenho que largar você”. E levantou e foi embora. Mas o pai dela e ela tinham razão. O que eu fazia? Eu enganava no colégio de manhã, ia na sinuca à tarde e jogava baralho até de madrugada. Eu era um vagabundo. Mas ela deu azar, viu? Eu comecei a namorar a minha porque eu queria provocar ciuminho na outra. E ela até tentou voltar, mas eu comecei a gostar dessa e deu no que deu. A vida é feita de coincidências. Se fosse tudo programado, como Mao Tse Tung queria...

247 – Mas a China agora está diferente.

Milton Neves – É mesmo. Eu nunca vi um comunismo capitalista tão bem- sucedido!

---------------------------------------------

“A comunicação esportiva de estúdio pós-jogo e pré-jogo existe até Milton Neves e depois de Milton Neves”

------------------------------------------

247 – Eles abriram o regime para os empreendedores... você não leu a coluna do Ferreira Gullar? Ele disse que o Marx errou porque tentou construir a sociedade eliminando os empreendedores...

Milton Neves – O cara que eu mais gosto no meio esportivo se chama Mauro Betting. E ele é apaixonado pelo Ferreira Gullar. Está saindo do segundo casamento, está no terceiro, e a mulher dele está grávida e o moleque vai se chamar Ferreira Gullar Betting porque ele fala que o Ferreira Gullar é o cara mais inteligente e mais bonito que ele já viu! E tem uma cadelinha chamada Ferreirinha. Eu, se nascesse mais um filho meu eu ia chamar de Terceiro Tempo Neves. Aliás, essa marca mudou tanto a minha vida também... Eu fiquei dez anos na Jovem Pan marcando passo com o plantão esportivo que eu entrei no lugar do Fausto Silva. O plantão sempre foi o cocô do cavalo do bandido. Quem mudou foi o Milton Neves, depois do Terceiro Tempo. A comunicação esportiva de estúdio pós-jogo e pré-jogo existe até Milton Neves e depois de Milton Neves. Assim como Lula pôs Luiz Inácio Lula da Silva vou ver se mudo meu nome para Milton Terceiro Tempo Neves Filho.

------------------------------------------------------

Alguém escreveu aí que ela estaria sofrendo muito, pensativa, no quarto dela. É uma pressão muito grande. Você vê que o Getúlio Vargas se suicidou. Uma pressão parecida.

---------------------------------------------------

247 – Você inventou essa marca?

Milton Neves – Não, essa marca foi inventada em Porto Alegre que o grande Fernando Vieira de Melo botou aqui na Jovem Pan. Porque quando o jogo terminava começava o Show de Rádio, com Estêvão Sangirardi. Quando o São Paulo ganhava durava duas horas. Era duas e meia da manhã e eu lá morrendo de sono, tinha que acordar às sete para ir para a rádio. E o Show de Rádio passava para mim: “Deixa cair, Muzamba”! Depois de mim vinha um noticiário chamado Terceiro Tempo. Quando o Sangirardi, em 82, no meio da Copa do Mundo voou da Jovem Pan e foi para a Bandeirantes, seu Tuta me chamou para fazer um programa chamado Terceiro Tempo. Eu pipoquei. Ele insistiu, insistiu, insistiu. “Eu não tenho condição, como é que eu vou enfrentar e fazer perguntas para Orlando Duarte, Randal Juliano... eu sou apenas um plantão”... “Não, você vai fazer”. E mudou a minha vida, de Muzambinho para Nova York. E tem uma coisa engraçada: quando eu gravava meu plantão o Sangirardi dedava para a direção. Eu gostava dele, mas ele foi muito sacana comigo. Um dia, duas e meia da manhã, eu já me preparando para ir embora, um locutor, chamado Ibrahim José, eu chamava ele de Fuinha, ele do meu lado começou a ler as manchetes. Isso nos anos da ditadura...Ele pegou e falou, com aquela voz empostada: “General Costa chega a Brasília e canta amanhã”. Eu peguei, olhei o texto... era Gal Costa!

247 – Você sempre fala de improviso, né?

Milton Neves – Ah, sim. Meu negócio é de improviso.

247 – É o mais difícil. Concatenar a frase com início, meio e fim. Você vê que a Dilma não consegue...

Milton Neves – Ela se enrola toda de vez em quando. Também, a mulher deve estar atormentada, hein! Tanta cacetada! Alguém escreveu aí que ela estaria sofrendo muito, pensativa, no quarto dela. Realmente ela precisa de um apoio psicológico muito grande. É uma pressão muito grande. Você vê que o Getúlio Vargas se suicidou. Uma pressão parecida. Não tem mais Carlos Lacerda... mas agora tem um monte de Carlos Lacerda!

247 – E no tempo de Getúlio não tinha internet. Milton Neves – Também não tinha helicóptero nem estrada. Eu vou te contar uma coisa. Eu tenho foto. Em 1954 Getúlio viajou a Muzambinho com toda a “entourage”. Foi inaugurar a Escola Agrotécnica de Muzambinho. E choveu muito. E Muzambinho, como toda a região ali não tinha asfalto, era tudo estrada de terra. E ele não tinha – se você quiser eu mostro a foto, eu mostro até a mesa – ele não teve como sair de Muzambinho. Ele governou o país durante sete dias de Muzambinho. Hospedou-se na casa do Lalau Campedelli. E ele despachava na Escola Agrotécnica. A mesa em que ele despachou está lá até hoje na sala do reitor. Duas semanas depois de ele ir embora ele se matou. E o Boechat falou: “agora que eu descobri... não foi Carlos Lacerda... Getúlio se suicidou por causa de Muzambinho”!

Share

Lúcio Soares

Gosto de pesquisar sobre variados assuntos e principalmente aqueles que a grande mídia não divulga. Desde o inicio com o Blog Olho Solitário tenho aprendido muito e sei que na busca da verdade não estamos sozinhos.

O que achou? Comente aqui:

0 comentários:

Aqui você é livre para comentar. Obrigado pela visita!